Breve ensaio sobre a merda;

e o relacionamento

 

Gente,


Como eu disse no último post, algo sempre aconteceria por aqui. Mas nem eu mesmo sabia que seria tão esporadicamente...rs 

O fato é que tenho me concentrado integralmente na minha nova busca, o que tem sido uma série de descobertas realmente impressionantes. 

Talvez eu até passe a usar esse blog como uma espécie de diário... Nao sei... vamos ver...

Bem, voltando: estou no meio de uma discussão incrível sobre relacionamentos com uma amiga, e sem muito romanceamento, vou colocar aqui uma passagem interessante:


Surge uma analogia muito curiosa entre o cocô e o amor...

- quando as pessoas se conhecem e bate o sininho: uma sabe que a outra caga, mas nem lembra disso...

- no auge da paixão: o outro caga, vc cheira e gosta. às vezes pede de novo...

- 1 mês: o outro caga, vc se incomoda mas nao fala nada.

- 2 meses: o outro caga, vc reclama, e ele dá um peidinho como quem quer dar a última palavra.

- 3 meses: o outro caga, vc explode - acompanhada de leves contrações abdominais - e ele caga uma pior que a primeira.

- 4 meses: o outro caga, sem aviso vc caga na cara dele e fica tudo esmerdeado...

A analogia é uma literal merda, mas o assunto é sério: em um resumo pretensioso de uma linha, nada mais é do que o índice de tolerância dos 2 diminuindo conforme a intimidade e o convívio crescem.

Por isso que eu acho realmente importante escrever sobre isso. É algo que, a partir do ponto que se conhece, te abre muito mais possibilidades de manter algo saudável pelo maior tempo possível (parênteses do super-sincero: amor eterno não existe... sorry guys...). 

Sabendo que esse roteiro é comum a 99% dos relacionamentos, vc pode se desviar dele, pq já começa a sacar as armadilhas que ele te coloca dia a dia para se fazer cumprir.

Os sinais são muito sutis, mas com uma certa atenção, nao é difícil começar a identificá-los. Um olhar, uma ausência, uma desateção, indisponibilidade, recusa, dissociação da personalidade apresentada no começo, etc etc etc etc

Bom, se deixar, o assunto vai longe. Mas é bom de se pensar, antes que vc passe a odiar seu companheiro...rs


É isso. Continuo em plena atividade no fabiotorres.net.  Dêem, uma passeada por lá.

beijo a todos.

 

Oi gente,

 

Para aqueles que ainda tem piedade de um blogueiro relapso, segue uma satisfação. 

Como alguns de vocês já sabem, eu estou dando vazão a uma outra vertente criativa minha: as artes visuais.

Então há muito que a literatura anda relegada a segundo plano, mas nunca esquecida. Sempre voltarei a ela, ainda que de formas diferentes provavelmente.

Encurtando o papo: convido a todos a vistar www.fabiotorres.net. Lá esse meu novo percurso fica bem claro.

Além disso, segue abaixo o flyer da minha primeira exposição desta nova fase.

Todos tb estão convidados. Toda força é muito bem vinda nesse começo sempre difícil.

É isso.

beijo a todos.

 

 

Ok ok...


Pois é gente... depois de um período onde a vida me fez traçar caminhos instigantemente desconhecidos, senti saudade de escrever por aqui. E digo também que não vou abandonar o blog... pode demorar, mas algo sempre vai acontecer.

Então vamos lá... pra matar a saudade segue um texto especialmente feito pra essa ocasião: decidi escrever e pensei no que colocaria... pincei alguns textos antigos, mas não era aquilo...

Então decidi a volta em grande e podre estilo: escrevi um texto sobre um dos temas que fizeram maior sucesso nesse blog, desde a sua criação: diarréia...

Pois é, pra quem naquela época pediu mais, lá vai... enxurrada marrom pra todo mundo...



Outro dia um amigo me contou que lembrou do meu texto da diarréia na balada (que está em algum lugar deste blog...), porque estava num bar e teve que, digamos, livrar seu corpo dos eflúvios que pareciam querer explodir dentro dele...

Isso me lembrou uma situação real da minha pré-adolescência: eu embarcaria pra um “acampamento” no dia seguinte. E algum fator psicossomático da família da ansiedade fez com que meus músculos intestinais entrassem em profundo relaxamento, não tendo, portanto, a menor condição de segurar meus dejetos.

Ciente dos problemas óbvios a que essa condição precária poderia me levar, recorri ao melhor dos recursos: mamãe. Ela não estava em casa, e naquela época celular era uma palavra que eu só conhecia de exame de sangue.

Cada vez mais desesperado, e já vislumbrando meu ataque de esmerdeio no meio do gira-gira, como um pavoroso ventilador de merda, liguei a tv numa tentativa ingênua e de probabilidade nula de achar alguma receita caseira pelos programas de senhoras da tarde...

Frustrado pelo óbvio - qual a chance disso narrado acima acontecer? -, dei uma passada no banheiro, assim, só pra não perder o costume, já que nem eu mesmo entendia o que mais poderia sair de mim àquela altura...

Sentado no vaso – meu mais novo melhor amigo- tive alucinações com a cena do gira-gira. Eu via meus coleguinhas tomando respingo na cara, em câmara lenta... Se minha casa pegasse fogo naquela hora, das duas uma: ou eu morria queimado, ou saía correndo esmerdeando o caminho... Eu era prisioneiro do meu sarcástico sistema excretor naquele momento. Sim, porque se eu pudesse personificar meu sistema excretor, ele estaria se mijando, ou melhor, se cagando de rir comigo, todo subjugado, escravo de uma privada...

Então o barulho da chave me fez esquecer de tudo por um minuto, e em 4 segundos eu estava ouvindo da minha mãe que “maisena com limão segura, meu filho”.

Cortei o limão, peguei a maisena, um pouco de água, e lá fui eu depositar todas as esperanças de um fluxo de cocô aceitável numa receita caseira.

Só que, no desespero, esqueci de perguntar algo sobre a dose... Minha mãe já havia saído de novo. E eu primei pela precaução, mal sabendo que ela deveria vir acompanhada de um pouquinho de bom senso... que me faltou, claro:

Peguei 3 colheres de sopa de maisena e espremi um limão. Misturei tudo em um copo de água e mandei pra dentro. Bem, limão é limão, e, como todos sabemos, não é daquelas coisas que acordamos no meio da noite com vontade de comer... agora MAISENA... hmmm aí é grave... parece, sei lá, que eu tava engolindo um tufo de algodão. Super agradável. Mas foi... desceu e eu já podia sentir naquele momento – pura auto-sugestão, claro – o meu acampamento garantido.

Pela primeira vez em dois dias eu pude saber como era a sensação de passar mais de uma hora sem ir ao banheiro. Dormi a melhor noite em 10 anos de vida, e acordei cedo pra pegar o ônibus fretado que passaria na frente de casa.

O sorriso, que só uma cachoeira que acabou de secar pode proporcionar, não saía do meu rosto. Cheguei e fui direto pro gira-gira (pra acabar com o trauma, claro). E que satisfação em girar aquilo até quase vomitar... Porque vomitar tudo bem... coco não...

Um dia despreocupado... dois... e o que era até agora alívio, começou a me deixar encafifado... No café do terceiro dia perguntei pros meus coleguinhas se eles já tinham “feito”,e, com a exceção de um gordinho estranho que não cagava fora de casa, todos já tinham inaugurado o wc local...

Na mesma hora, e pelo mesmo motivo psicossomático de antes, comecei a me sentir pesado, meio que.. cheio... Almocei bastante, comi como um refugiado, esperando que o bolo fecal fosse suficiente pra romper o muro cimentado de maisena que tinha se formado no meu intestino grosso...

Mas a blindagem devia estar bem espessa... e nada de banheiro... No meio da noite do terceiro dia, levantei sozinho de madrugada (única hora em que eu poderia passar horas no banheiro sem ser notado), e me sentei, mesmo sem vontade. Às vezes a vontade aparece, vai saber... Forcei a barra, mas não teve jeito, seria mais um dia sem encostar num papel higiênico...

O ônibus da volta chegou cedo, e eu me despedia do acampamento contabilizando ZERO descarga... Sonolento pela visita noturna frustrada, fui dormindo até em casa... Acordei um pouco antes, com a sensação de ter um liquidificador ligado dentro da minha barriga. Suando frio, olhei pro lado e nunca a visão da esquina da rua de casa me pareceu tão reconfortante.

Desci do ônibus como quem corre de um homem bomba, e avancei pela garagem de casa, que naquela altura parecia um estacionamento de shopping... Voei pro banheiro largando mochila, bola, trofeuzinho de ping-pong e qualquer outro peso que pudesse retardar minha chegada.

Não havia mais como retardar: eram 3 dias de acampamento indo desgarga abaixo...   

 

Até a semana passada seu fim de semana era pegar cinema na sexta, jantar na casa de um casal de amigos no sábado e almoçar com a família dele no domingo.

Só que hoje é a primeira quinta feira sem ele. E amanhã não tem cinema, ao menos com ele. Acho que não tem cinema mesmo, porque era dele que você lembraria a sessão toda. Melhor ficar em casa, ou ligar praquela sua amiga que você não vê há tempos... Não, melhor ficar em casa...

Você não liga, mas ela te liga. Quer porque quer que você a acompanhe naquele aniversário desconhecido só pra você não ficar em casa. Você insiste no isolamento e volta a saber o que costuma passar no globo repórter.

Dorme tarde, depois de horas na frente da TV, e acorda tarde no sábado que te mostra um céu azul inspirador, mas que não é capaz ainda de te tirar de casa. Talvez você organize algumas coisas de que não vai mais precisar, guarde uma fotos, e junte num canto aquele casaco que ele emprestou pra você se cobrir da chuva quando você saiu do carro dele depois do cinema.

Sete da noite e esse sábado parece ter 50 horas... você não consegue mais se olhar no espelho, e tá começando a ficar com tendinite de tanto passear pelos 80 canais que não te dizem nada. Resolve aceitar a aventura da sua primeira balada solteira depois de anos.

Você pergunta pra sua amiga o que deve vestir praquele lugar que você não conhece; e ela vem te buscar.

Uma semana atrás você estaria indo dormir, mas está chegando na fila que dobra a quadra. Tua amiga tem esquema com o segurança e vocês entram rápido, direto pro bar.

Beber um pouco e soltar o corpo é tudo o que você quer agora. Ainda que talvez a música não te agrade tanto, talvez um pouco de dança não te faça mal mesmo. Isso até o primeiro pit-boy te puxar pelo braço... Pois é... coisas que só a condição de solteira podem te proporcionar: um troglodita bêbado de papinho mole querendo te levar pra casa dele ainda hoje...

Já em casa, e com sua mãe acordada porque ela não está acostumada a ver você voltar esse horário, você cai no sono e acorda no domingo se perguntando se essa é a vida fora do namoro.

E eu espero, sinceramente, que você conclua que NÃO. Você está em transformação. Saiu de uma condição que já não te dizia mais nada, pra entrar em contato com você mesma; experimentar-se novamente depois de anos, redescobrir seus gostos, seus tempos. Resgatar aquela pessoa que você sabe que existe dentro de você, que começou a querer te dizer alguma coisa a semana passada (quando você terminou com ele), e cuja voz, hoje, te parece cada vez mais clara.

Pois é, agora você tem todo o tempo do mundo pra ouvir o que ela tem a dizer....

                                                        

Oi gente,

 
Abro um parênteses nas crônicas, pra mostrar um trabalho ao qual venho me dedicando há um certo tempo já: uma série de pinturas associadas a filmes.
O processo é simples: assisto novamente a um daqueles filmes que nao têm limite de vezes pra serem assistidos. Acho que todos temos uma prateleira - dentro da biblioteca dos nossos gostos - reservada especialmente para aqueles filmes que assistimos onde, quando e em que parte quer que esteja...
Então, ao final, já naquele horário em que temos que infelizmente decidir se damos vazão à inspiração ou se nos fingimos de responsáveis pra dormir logo e acordar cedo, eu abro o computador, e faço uma pintura que represente o meu estado emotivo naquele exato momento. Sem mais influências, só o filme na cabeça e o pincel na mão.
Como peça inaugural da série, vamos de David Linch (gênio...) e seu deliciosamente quase indecifrável "Inland Empire (Império dos Sonhos)".
A viagem do filme é montar o quebra cabeças que ele te propõe. É necessário um pouco de paciência, mas a recompensa é inacreditável.
Quem nao viu, veja. Quem viu, veja de novo, e de novo, e de novo e de novo...

Em resposta aos comentários do tal "pasquale" do texto "Pelo Planeta"

Vcs sabem que nao costumo responder a provocações de leitores; por vários motivos. Primeiro que são uma minoria covarde que se esconde no anonimato pra "brincar". Depois que realmente nao merecem 1 minuto do meu trabalho. Esse mesmo minuto eu dedico a vocês, leitores que apreciam e que, quando criticam, o fazem de maneira construtiva.

Mas o engraçadinho que presunçosamente se entitula "Pasquale", em vez aproveitar o que eu escrevo, ou menos que isso - ficar quieto... ou ainda menos: entrar em outro site, prefere 
brincar com assunto que nao domina...

Realmente, se vcs olharem os 2 comentários que fiz questão de nao apagar, notarão que "por ora", de fato é sem H. Assim, errei, como todos erram. E nao tenho vergonha disso.

Mas o engraçadinho vai além: no outro comentário fala algo sobre desapercebido...

Segue então, especialmente pra vc, "Pasquale", a definição do Michaelis:

desapercebido
de.sa.per.ce.bi.do
adj (des+apercebido) 1 Desprevenido, desacautelado. 2 Desprovido, desguarnecido.

Espero que vc aproveite a chance de ser humilde. E eu aposto que nesse exato momento vc deve estar muito agradecido pelo fato do blog nao possibilitar que

as pessoas saibam o serzinho pequeno e inconveniente que vc é.

 

Desculpem-me todos os outros pela postagem pouco útil.

 

 

 

  

Pelo Planeta

Então vivemos a era do efêmero. Romances efêmeros (aos quais até a palavra “romance” parece antiquada); celulares que duram 6 meses e que mesmo que não quebrem, sentimo-nos quase obrigados a comprar o último modelo; palavras efêmeras que jogamos aos outros ou a nós mesmos sem perceber e por aí vai.

Várias pequenas ações do cotidiano traduzem essa nova “modalidade” de vida, baseada no crescimento desordenado de consumo; qualquer tipo de. E todos eles envoltos no sentido maior: o consumo das nossas próprias vaidades... E essas vão desde o ato de consumir as sacolinhas de supermercado modelo “Demoro 1400 anos pra me decompor no ambiente”, até o consumo do sexo, do romance, da estrutura psicológica do outro, etc.

Um dia eu escrevo sobre esses consumos mais subjetivos... Por hora, deixa eu falar um pouco dos recursos que a natureza nos deu, e dos esforços que fazemos dia a dia pra detoná-los totalmente...

É sempre assim, mas não deveria: a demanda aumenta, e só depois – bem depois –as preocupações com a sustentabilidade chegam. Um mínimo de planejamento anterior seria recomendável, mas como nunca tivemos isso, e nem teremos, as boas idéias para “reparar” os danos causados por nós mesmos são as únicas armas de que dispomos. Vamos usá-las, portanto. 

O descarte, mais do que como uma simples palavra, atinge status de um grande conceito perverso; um fantasma obscuro e onipresente que atua em todas as esferas do relacionamento do homem com o homem e do homem com o ambiente.

O primeiro caso, hipocrisia à parte, é problema de cada um. Cada um sabe o quão descartável é, ou o quão pode descartar as pessoas à volta. Contanto que não cheguem perto de mim, danem-se todos.

Mas com o ambiente o problema é maior, porque é meu também. O que esse humano “descartante” faz atinge a mim. Então não posso deixar que ele se dane, porque eu me dano também.

Voar no pescoço de um idiota que joga papel pela janela do carro deve ser uma delícia, mas pouco recomendável. Desligar a força depois de 1 hora de banho da madame e deixá-la pelada e tremendo de frio com espuma de banho, também deve ser bom, mas pouco eficaz. Esperar a conscientização coletiva é frustrante, porque os vícios de desperdício estão tão arraigados na vida de cada um que se passam desapercebidos; quase como uma característica cultural.

Assim, ainda que digam que é utopia ingênua pensar que “se todos fizerem suas partes o mundo melhora”, essa é a única alternativa. Cabe a cada um sentir qual o peso que a responsabilidade por um mundo sustentável tem; qual mundo quer deixar pras próximas gerações e, a partir daí, tomar suas decisões e agir de acordo com elas.

O tapa na orelha está aí, na cara de todos nós: toneladas de lixo, poluição, Amazônia desaparecendo, gelo derretendo onde não devia, tiro na cabeça por 10 reais, doenças se alastrando; e isso é só o começo.

O futuro, sem pessimismo sensacionalista, é negro: negro de chorume, de chuva ácida, ar irrespirável, de trânsito caótico e afins. Tá na hora de levantarmos nossas bundas preguiçosas do sofá, de onde só conseguimos ver nosso próprio umbigo, e fazer algo substancial e rápido.

O tempo tá correndo e não volta. E pior, está contra nós. Se o seu filho torrar no ultravioleta porque o ozônio foi literalmente pro espaço, a culpa é sua. Se tivermos 4 dias de rodízio daqui a 5 anos, e você tiver que andar de máscara na rua porque o ar vai parecer um escapamento de Kombi desregulada, a culpa também é sua. Se o ártico derreter e extinguir os ursos polares, e como brinde você ganhar o alagamento de algumas cidades litorâneas pelo aumento do nível do mar... adivinha?... Pois é...

 

Então, cuidado ao jogar aquele papelzinho inocente pela janela do carro... Um dia um papel bem maior pode chegar perto, e descartar você.

 

 

Oi gente,

Hoje um texto meio perturbado... pois é... de vez em quando acontecem essas pirações de a gente não saber onde está exatamente, ou se está fazendo a coisa certa, ou se está com a pessoa certa, etc... Nessas horas é bom parar e rever tudo... Acho que todos passamos por esses momentos várias vezes nas nossas vidas, o que eu acho muito bom. Talvez alguém esteja passando agora e se identifique... Comments please...

 

Pausa no riso

 

Até a poeira foge desse beco sujo onde ele se escondeu.

Batendo de cara com verdades demoníacas e epifanias paranóicas, ele luta no escuro de uma masmorra insalubre. Fantasmas etéreos e translúcidos atravessam seus ouvidos, deixando no cérebro um rasgo fundo de descobertas indigestas... Entrar em contato consigo mesmo é uma viagem a um lago de merda.

Talvez fosse mais fácil sobrevoar rasante esse lago, mantendo o medo de mergulhar e apenas sentindo os odores pútridos que dele emanam como quem quer dizer que há algo de errado a ser investigado. Talvez fosse melhor não investigar mesmo e se manter na pseudo-blindagem de um colete de tricô num fogo cruzado de fuzis.

Mas hoje ele preferiu reparar nos tiros de raspão que o avisavam que era preciso entrar na guerra. Despiu-se do colete retórico e mergulhou no oceano de podridão. Deixou as unhas crescerem só pra escarnar todo o seu rosto, a ponto de não se reconhecer mais... Afundou a cabeça na merda e agora percebe que o que se impregna em cada poro desprotegido da sua pele dilacerada não é mais que a sua essência. Essência de merda. Seres desconhecidos dos mil mundos submarinos agora puxam seus pés, e ele já não consegue mais resistir ao líquido que lhe penetra boca e nariz... Respira merda, come merda, torna-se merda.

Sua visão turvada o cega, e o obriga a olhar a si mesmo... a única visão que se pode ter sem olhos... A merda cala seus sentidos, isola-o de qualquer mundo paralelo que não seja o seu e a ciranda de anéis de fogo o coloca em uma dança de movimentos solitários e enriquecedores.

Mergulha então numa viagem sem data certa de retorno. Vai ficar por lá até descobrir como sua pele irá se regenerar da forma que mostre que ele agora não é mais quem era antes, alguém que ele possa reconhecer como um novo “si mesmo”, que é sempre diferente, a cada volta que a vida nos dá.

 

"Balada hoje!!???  Será será!!!!???! rsrsrsrs"

(da série: nicks estúpidos do msn)

 

 

Acho que to ficando velho. Ontem entrei numa dessas baladinhas erradas do eixo preferido de lazer das pessoas dos planetas externos ao sistema solar: Itaim/vila Olímpia...

Pois é... a desgraça se anunciava já na fila de abate, digo, entrada... É que parecia aquelas filas indianas de boi indo pro abate... Um por cima do outro, aí o maninho de trás te empurra sem querer e você encoxa a peruinha da frente, que te olha feio.. e nem sequer você aproveitou...

O pavoroso DJ me recebe ao som dos clássicos bregas internacionais da década de 80... pet shop boys, new order e afins, e nessa hora eu poderia ainda dar meia volta, mas como sou um otimista irremediável – daqueles que assistem filme iraniano INTEIRO só pra ver se o final salva as 4 horas de tédio – eu insisto, me perguntando se não sou eu que tô chato demais... Pergunta essa que seria insolitamente respondida ao longo da noite, em forma de pequenas pitadas amargas...

Numa passada rápida de olho (até porque se eu olhasse mais lentamente eu teria pesadelos), vejo que realmente o comboio do inferno resolveu baixar no Itaim... Porra, tudo bem vai, preconceito meu, mas naqueles dias em que eu acordo com aquela vontade louca de ver gente feia, eu tomo um ônibus...

Logo após o primeiro susto, comecei a tentar me situar na balada, literalmente... É que “situar-se”, naquele momento, era uma ação quase heróica, por um motivo que todos aprendemos no segundo colegial: 2 corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Imagina 864 (oitocentos e sessenta e quatro) corpos então... E mais: num lugar onde caberiam, já apertadas, 500 pessoas... Pois é, mas realmente minha vontade de descobrir como se sentem as sardinhas de lata do supermercado me mantinha naquele local.

Perfume? Pra que perfume, se lá dentro havia uma orgia completa de odores? Com a proximidade dos corpos, em cerca de 7 minutos eu já exalava uma combinação interessantíssima de, a saber:

- perfumes femininos linhas B e C;

- perfumes masculinos de promoção de camelô da praça da bandeira;

- odores corporais naturais de outrem, mais especificamente da região das axilas;

- cigarros de todos os tipos;

- bafo de caipiroska de lima da pérsia (que o povinho acha que é uma superfruta sofisticada, mas que pra mim é laranja amarga)

- e, pra completar a desgraça, claro, o gordinho-da-rodela-solta resolve devolver pro mundo, em forma gasosa, o virado à paulista que comeu no churras do vizinho durante toda a tarde...

Bem, imagine uma caixa de palitos de fósforo vista de cima... pois é... essa era a pista de dança... De “dança” só tinha nome mesmo, porque das duas, uma: ou a galera pulava com os braços pra cima, ou pra baixo... Nem acender um cigarro eu podia naquele inferno... Fora aquelas “encostadas” úmidas de suor que a gente sempre toma de um grupinho maldito mais animado que pula junto e roda achando que tá na praia... Em 10 minutos eu me via pingando de um suor que eu nem sabia se era meu... Além de, claro, umas eventuais cuspidas na minha cara, dos caras falando empolgados a 15 cm de mim. Cuspida de macho na minha cara, pois é...

Já que “divertir-se” há muito não era mais uma opção pra mim, restou-me observar, pra que alguma coisa eu extraísse daquela noite, nem que fosse um texto rabugento como esse...

Alguns grupinhos são facilmente identificáveis... temos os nerds que ficam armando a balada 3 meses e aparecem lá de sapato, cinto social, calça jeans e camisa manga longa SEM DOBRAR... Temos também as menininhas de 19 que saem em matilhas de 4 ou 6, e que cantam “because the night belong to lovers” todas juntas, como se fosse o hino nacional... Dessas, podemos tirar uma variação: aquelas que levam máquina fotográfica pra balada, e quando sai uma foto que todas gostam, automaticamente todas se entreolham e dão o grito de guerra “ORTKTI!!!! ORKUTI!!!!” (essa é foda)... Tem os semi tiozões que aparecem sozinhos ou em duplas, e ficam olhando tudo de longe, sem dançar, sem rir, sem falar, e que passam a noite toda com o mesmo copo de whisky, indo periodicamente ao bar pedir pra completar de gelo...

Temos também os ogros da noite, claro... que são os grupinhos de pit boys bombadinhos que dançam com o pescoço duro e puxam a mulherada pelo braço... E não podemos esquecer dos divertidíssimos casais que, por idéia infeliz de um dos dois, acabaram caindo sem querem naquela merda toda... Aí um deles (o que deu a idéia), se esforça em mostrar que não tá tão ruim assim, arriscando uns passos, puxando o outro pra dançar, enquanto esse outro não vê a hora de voltar pra casa pra ver se pega pelo menos o final do super cine...

Ainda na categoria “casais” temos aqueles que se formam pela noite... que reúnem de um lado o macho predador de hábitos notívagos, e do outro... bem, do outro.. a fêmea predadora de hábitos notívagos... Ambos querendo mostrar pra galera que ganharam língua quando vieram ao mundo...

 

É, realmente só posso concluir que abriram a jaula mesmo... a fauna tava completa, com animais no cio, machos rebeldes, fêmeas em TPM, casais em semi-cópula, bicho que ataca em grupo, bicho que ataca sozinho, e assim por diante...

Pra completar a noite, depois de uma cerveja morna de 15 reais, tentei chegar ao toilet, o que por si só daria pra escrever um livro... Depois de 15 minutos na fila cheia de homens suando frio de tanto beber, outros falando sozinho, e outros ainda (os piores), querendo puxar papo comigo, chego ao meu objetivo... E, como obviamente não poderia deixar de ser,  a visão do vaso sanitário me fez ter saudades dos banheiros de borracharia de beira de estrada... Sabe aqueles vasos quase transbordando, que te obrigam a mijar no lixo, porque se uma gota daquele líquido respigar em você parece que vai atravessar tua perna? Ou, no mínimo você vai aparecer no dia seguinte com a região do respingo mais escurecida e sem sensibilidade? Pois é...

 

É isso pessoal, taí a dica da balada! Tá bom pra vocês?

Ah não? Querem mais:

60 reais pra entrar... seco...

Por mil demônios

Oi gente...

Antes de tudo: desculpem-me pelo abandono... Conjunção de fatores que convergem na minha total incompetência em escrever algo que preste... mais que isso: em escrever...
Pois é... as últimas semanas têm sido um balanço nauseante entre o que eu quero e o que eu tenho que fazer, pendendo sempre pesadamente para o segundo lado...
Cada minuto que eu dispendo fazendo algo que eu tenho que fazer, é um minuto que eu desperdiço por nao fazer algo que eu quero...
E não é só o tempo em si, mas a carga que ele concentra... Depois de um dia inteiro, ainda há a noite toda, só que ela nao é o bastante... Há de se ter o tempo da descompressão... de se desligar dos problemas e entrar no meu mundo... E esse tempo me falta.... Tanto que estou escrevendo esse texto direto no blog e sem revisão (coisa que nunca faço), como uma micro-tentativa de resgatar alguns pontos que andei perdendo pelo caminho... Então desde já me desculpem por eventuais erros...
E um desses pontos é a fidelidade de vocês que me lêem... é uma puta falta de consideração da minha parte eu deixar o blog abandonado... Várias pessoas me pedem, e mais que isso: eu me peço... e nao estou conseguindo atender nem a mim mesmo, quanto mais aos outros...

Os demônios do título são aqueles que vêm conversar com a gente de vez em quando. E hoje eles estão aqui do meu lado. Passei a manhã inteira olhando a tela do computador, só que fora de foco... Eu olho através dela, quase implorando pra que ela me mostre algo a mais do que uma merda de desenho que se eu nao entregar eu me fodo...
Fui almoçar mais cedo e sozinho, pra tentar entrar em contato com alguma coisa que fizesse eu me lembrar das coisas que eu gosto e que eu quero, pq eu estou esquecendo já...

Mas acho que deu certo... voltei e corri pra cá escrever...

E, por enquanto, foda-se o desenho...

 

Valew gente, desculpe novamente a ausência, mas to tentando... Logo mais teremos (se deus quiser e eu puder), um texto sobre as eleições...

 

Oi gente,

Novamente me desculpem pelo atraso... coisas e mais coisas... Segue o último texto... e eu nao esqueci das postagens que me pediram os "besteiróis"... vai na próxima... beijos.

 

“Saudade”, segundo dizem, só existe em português. Talvez porque a nossa rica língua ouse dar nome a coisas tão complexas e subjetivas. Palavra simples; fácil de dizer. Sai gostoso da boca; ou sai amargo da boca..., mas não há quem não diga.

Não há quem não sinta, não há quem não goste ou desgoste dela; não tema ou odeie; ou não tente se esquivar dela. Saudade é bom. Mantém lembranças, congela momentos, pessoas, sorrisos ou toques; é a nossa fotografia mental... Mas a lente dessa máquina traz em seu foco a quase cruel justiça... Justiça porque ela capta tudo. Das felicidades efêmeras, às melancolias vespertinas; do amor à dor; do sorriso ao desalento. Ela abre o leque de sensações e o despeja sobre nós. Um temporal de emoções controversas, que mistura o doce e o amargo na nossa boca, pra gente engolir sem saber ainda se aquilo faz bem ou não...

Se a saudade te domina, você está fora do teu tempo. Tá lá no passado, vivendo em memória coisas que não existem mais. Esquece-se de que a única coisa que importa de verdade é o dia de hoje, porque é ele que você tá vivendo; é ele que te leva até amanhã. A saudade tem que estar ao nosso lado, sempre; e não nos amarrando a um momento. A saudade ao lado é a referência, é a motivação, o conforto, o otimismo, é aquele sorriso que damos sozinhos em casa, de lado e olhando pra fora, com os olhos um pouco molhados.

É possível viver sem saudade, mas é melhor tê-la por perto. É possível falar com ela, gritar pra ela ir embora, mas é sempre melhor ouvir o que ELA tem a dizer.

Ela é, acima de tudo, saber que somos de carne osso*; que temos o privilégio de poder conjugar o verbo “sentir”. É o que tira um sorriso de uma lágrima... e eu nunca tinha parado pra pensar como é difícil arrancar um sorriso de uma lágrima...

Mas a saudade consegue.

The "Bill and Melinda Gates Foundation"

 

Hoje é um dia histórico, e pouca gente sabe disso. Um dos maiores bilionários do mundo resolveu se aposentar. Bill Gates, o homem que estabeleceu um divisor de águas na maneira das pessoas se relacionarem entre si, e até com elas mesmas, deixou hoje o comando da Microsoft, e vai se dedicar à sua fundação, a “Bill and Melinda Gates”.

 

Com essa atitude dá pra pensar em muita coisa, além de cairmos no lugar comum e concluirmos superficialmente que mais um ricaço cansou de ganhar dinheiro e resolveu aproveitar a vida. Isso nos deve fazer pensar muito em termos práticos e ideológicos.

Dando uma rápida passeada pelo site da fundação, uma pergunta simples e de resposta complicada nos vem à cabeça: por quê? Porque um casal com uma montanha, ou melhor, uma cordilheira de dinheiro, resolve se aposentar e, em vez de passar o resto da vida gastando o que ganharam até hoje, resolve investir pesadíssimo em causas sociais?

É realmente difícil entender uma estrutura onde o dinheiro não faz diferença quando, infelizmente, esse mesmo dinheiro representa pra esmagadora maioria das pessoas, a principal preocupação desde o momento em que se levanta até a hora de dormir... isso se o assunto não lhe tirar o sono...

Mas tentando enxergar um pouco através da nossa realidade, eu não consigo ver outra coisa a não ser muito boa intenção e vontade em querer ajudar a humanidade. E essa vontade, quando abastecida de bilhões de dólares, realmente tem poder de transformação.

Uma vez escrevi sobre isso, mas com um ponto de vista diametralmente oposto. Em resumo, eu falava das pequenas ações pessoais inócuas, que não geram resultados expressivos. Falava de uma, duas, 30 pessoas sem real poder de penetração nos problemas da sociedade, que por meio de ONGs, ou mesmo de ações individuais, demonstram boa intenção, mas que isso não se reverte em algo que podemos ver de longe. Falava principalmente que existem duas “entidades” que elas sim, e somente elas, teriam o poder de realmente alterar o curso das desgraças humanas que pipocam pelo mundo: os governos, e as grandes corporações – ou seus representantes.

Sobre os governos pouco posso falar. Parte pela névoa impenetrável que mascara suas ações (todas elas, benéficas ou não), e parte por puro descrédito reforçado pelos repetidos escândalos. Mas um homem com mais de 50 bilhões de dólares, que se volta a causas filantrópicas e humanitárias, tem que ser visto e admirado. E são exemplos como esse que devem ser seguidos.

Novamente contaminados pelo julgamento comum, todos nós nos perguntamos se não existe um fator obscuro, um motivo além do simples ajudar. E nesse texto eu não estou dizendo que não existe; estou dizendo que prefiro acreditar que não. Prefiro acreditar no que eu vejo no site, e nas notícias que relatam as ações da fundação. Não consigo, sinceramente, ver outros motivos. Publicidade? Certamente o dono da Microsoft já tem bem mais do que gostaria. Dinheiro? Ele está gastando, não gerando. Então, prefiro acreditar, e acho até não tão difícil, se nos desvencilharmos de preconceitos, que realmente ele quer ajudar.

Esse é o mérito da história admirável de como um “nerd” vidrado em computadores se tornou uma referência na filantropia mundial.

Mais que isso, e aí expando um pouco a análise, tentando não deixar o texto tão maçante: ele soube a hora de parar. Existe algo além. E eu repito: existe algo além. E esse além está à nossa volta, acima, abaixo, dentro da gente, no ar que respiramos. Estamos matando os planeta. E isso de 100 anos pra cá... antes da revolução industrial, a poluição em toda a história do mundo foi menor que no século que se seguiu a ela... e estamos falando de centenas de milhões de anos.

E estamos matando as pessoas. Estamos matando a esperança e a vontade de viver de povos inteiros. Eu me lembro de qualquer coleção de fotos de refugiados e vejo pessoas sem presente, sem passado, e tristemente sem futuro. Vejo ditaduras sanguinárias na África, limpezas étnicas na Europa e oriente médio, anti-semitismo difundido mundialmente, preconceito de credo e cor mais difundido ainda... isso só pra citar os que me vêm à cabeça sem esforço... E o que eu posso fazer a respeito disso? O que você pode? Mais que isso: o que eu faço e o que você faz? Qual a disponibilidade que temos pra direcionar nossa energia pra algo que não seja a nossa subsistência? Não que priorizar a nós mesmos seja um descaso com o mundo, não mesmo. Mas, como em qualquer coisa na vida, pra cuidar dos outros, precisamos antes ou ao menos concomitantemente, cuidarmos de nós.

 

É por isso que não há como não baixar a guarda quando um fato contundente desse vem à tona. Acreditar é uma opção de cada um, mas eu, particularmente, vejo na fundação do Bill Gates um olhar de alguém que juntou dois fatores dificílimos de andarem juntos: o de querer, e o de poder fazer.

UM BRINDE À IMPREVISIBILIDADE DA VIDA, 2

Quem acompanha o blog, talvez se lembre que mais ou menos há um ano eu escrevi exatamente o título desse texto. Foi um evento inesperado e pessoal; e justamente por ser pessoal eu não entrei em detalhes. Porque quando um texto é publicado, ele - salvo específicas exceções - tem que falar de algo que sirva a quem está lendo. Essa é a responsabilidade do escritor: escrever coisas que as pessoas possam ler e correlacionar com a sua memória emotiva individual e instranferível. É uma tarefa difícílima quando se trata de um escritor desconhecido. Só através da identificação com determinado texto é que as pessoas dizem que aquilo toca suas vidas em algum ponto, e passam então a naturalmente terem interesse no que ele escreve.
Hoje foi o dia em que pela segunda vez - desde aquele dia -a vida resolveu me presentear com uma das suas ações imprevisíveis benéficas. Assim como da outra vez, nao preciso entrar em detalhes, por que o que interessa a todos que estão lendo nao é o que aconteceu comigo, e sim o que existe por trás desses eventos que acontecem na vida de todos nós.

O que posso dizer a respeito da imprevisibilidade da vida, é que ela é um benefício a que todos temos de ficar atentos. Todos temos de ficar alertas, porque às vezes, atravessando uma rua, ou atendendo a uma ligação que era engano, um pouco mais de atenção pode nos trazer coisas muito mais valiosas, que foram disseminadas e inseridas nas nossas vidas por uma ação cotidiana e aparentemente inócua.

Aparentemente... porque a distância entre perceber e nao perceber esses pequenos sinais é mínima. E um sinal, por mais aparentemente discreto que seja, pode gerar uma forte mudança de percepção e, por conseqüência, de atitude. E, numa análise simples e direta, a nossa trajetória é feita de caminhos, mas também da mudança deles. Mudar o caminho, pegar uma rota alternativa, um atalho ou uma via desconhecida não é fácil, mas pode ser recompensador. Coragem é um substantivo de que temos que lembrar nessa hora, porque é sempre mais fácil assistir às coisas acontecendo como um peixe dourado dentro de um aquário, do que nadar contra a correnteza e experimentar águas desconhecidas.

Então, é preciso estar alerta, atento, e, acima de tudo: ter postura otimista. Otimismo é abrir os olhos, é não negar nada que se apresente, é estar disponível a qualquer dica que a vida possa te dar. Em geral, a vida é um tanto irônica e perspicaz: ela não dá nada de graça; não te mostra coisas óbvias e fáceis de se buscar. Não... ela dá pequenos e sutis sinais. Indica caminhos com a discrição de um olhar. E é por isso que estar atento é fundamental.

Talvez alguns de vocês estejam sentindo falta do meu tom ácido e rabugento; mas existem algumas situações onde nem esse sarcasmo que me acompanha como uma sombra tem lugar.

Desculpe-me então sarcasmo e ironia. Vocês são um de meus principais combustíveis literários, mas hoje, especificamente hoje, vcs estão participando desse texto como platéia, não como protagonistas.

Um brinde, então, aos eventos inesperados. Aos suspiros súbitos e epifanias; à capacidade que nos foi dada de simplesmente buscar. Porque quem busca, no fim das contas, acha. Pode não achar o que estava procurando, mas sempre acha algo. E como podemos saber se o que está por ser achado serve ou não a nós?

Na dúvida, eu sempre busco.

é isso.

beijos.

fábio. 

Pequena complementação e alguns recados.

Sem querer repetir o tema tão rapidamente, mas pensando na injustiça que seria com as outras 44 breguices se essa a seguir nao estivesse relacionada, resolvi colocar um breve adendo. Lembrando também que vários outros itens foram apontados pelos leitores, mas este realmente merece todo destaque: o RIDER.
Sem maiores condescendências, RIDER é foda. RIDER é um acidente na história do design dos chinelos. A simples visão daquele pedaço de borracha disforme e sem compromisso algum com o mínimo aceitável estético, me faz segurar o riso.
Eu aprendi a não confiar em 3 tipos de pessoas na minha vida: nas que não têm nada a perder, nas que não gostam de chocolate, e nas que usam RIDER... Mas isso é outra história... o RIDER, é certamente uma breguice que sobe no podium.

Bem, calçados inaceitáveis à parte, gostaria de agradecer pelas postagens de comentários, e pela divulgação do blog. Esse foi, de longe, o texto mais visitado. Prum escritor semi-completamente desconhecido, mais de 100 postagens desde o dia que o texto entrou no ar, é gratificante. Podem ter certeza de que isso me motiva a escrever com mais frequência. E perdoem-me pelo espaçamento tão grande entre os textos. Além da falta de disponibilidade (não por vontade minha, claro), eu me preocupo muito em nao deixar cair a qualidade dos textos, o que nao é fácil. Então, dentre as 2 alternativas que desagradam os leitores, prefiro nao colocar nada, a colocar algo apenas pra preencher o espaço.

E por fim, de vez em quando relembro a todos que continuo dando aulas de redação. Quem quiser entrar em contato, pode fazê-lo por aqui ou pelo meu Orkut (o link está à direita da página).

Novamente muito obrigado a todos pela leitura e pelos comentários.

beijo a todos.

PS: como dá pra perceber, acabei de descobrir que dá pra por cor no texto...

fábio.

 

 

 

A BREGUICE EM 44 LIÇÕES

 

Pois é gente... depois de um longo e tenebroso inverno afastado do blog, acordado pelo despertador do meu celular que, por falta de som melhor, toca uma salsa (...pois é...), resolvi escrever sobre um tema sério e polêmico. Algo que as bocas sensatas preferem não falar, em nome da hipocrisia que domina nossas rodas sociais: a breguice...

Claro que o texto fala das minhas impressões particulares, com toda a licença e preconceito poéticos aos quais eu tenho direito. Afinal, o que é brega pra mim, pode não ser pra você... (só que aí terei que temer pelo seu bom senso...rs.. brincadeira..). Mas acho que dá pra relatar várias unanimidades ao longo dele...

Vamos começar pelas divertidíssimas breguices do mundo da moda (ou da total ausência dela...). Que tal calça preta com cinto e sapato caramelo?! Típica fantasia de Office boy do século 21... Brega. E as camisetas com piadinhas infames, do tipo: “Beba chopp, água enferruja”. Brega 2... Ou ainda aquelas com dizeres amorosos que o casal usa junto: “Aderbal e Raimundinha: amor escrito nas estrelas”. Essa é Brega 3 e 4: um pela frase, outro pelos dois andarem juntos vestidos de Amor I love You, e saltitando pelo parque... Aliás, isso serve pra qualquer objeto com gravações amorosas... canecas, toalhas, guadanapos, porta-retrato, e afins...

E calça jeans e sapato sem meia? Ai amigo... já foi o tempo de pagar de decorador das estrelas né?... Brega 5 pra você.

Tem os gordos/gordas que acham que são magros. Nada contra a constituição física de cada um, mas se o teu número pede “Moda para gordinhas”, não me vai comprar legging na Body For Sure né? Brega 6. Quer uma dica de como não errar? Olha a Tati Quebra Barraco e saberás como não fazer... Realmente quebra barraco mesmo. Quebra cadeira, quebra cama... quebra tudo...

Para os acessórios, porque não colocar aqueles pinduricalhos no celular? Havaianinha com Svarovsky, toda espécie de mini bichinhos peludos, e por aí vai. Brega 7. Ou colocar aquela música de sucesso como toque, pra todo mundo ouvir 250 vezes por dia a Whitney Houston berrando “And IIIIIIIIIIIIIIIIIIIII... will always... love UUUUUUUUUUUUUUU”.... Brega 8.

Corrente de ouro por fora da camisa (ou por dentro mesmo...(bicheiro?)), PULSEIRAS de qualquer material (sinhozinho malta?), unha do dedinho da mão mais longa (é pra alcançar a cera do ouvido?), anel no dedo do pé, pochete unissex (já ouviu falar em bolsa, bolso, mala, pasta, mochila?), homem com brinco numa orelha só, cavanhaque, buço pintado com blondor (quase parei uma mulher outro dia na rua pra dar de presente uma depilação a laser), esmalte escuro descascando há 4 dias (acetona pra quê?...), cofrinho na cadeira do escritório, camisa masculina estampada (bicheiro, de novo?...), calças pra homem ao melhor estilo “mira mi cuerpo” (aquelas em que se bunda tivesse nariz, morreria asfixiada)...

E o melhor de todos dessa série: boné de candidato a vereador (não tem preço...). Bregas de 9 a 21 na cabeça!

Mas dá pra ser brega no carro também, como não... Carros cheios de adesivos, como janela de quarto de adolescente. Especialmente aqueles adesivos de sensibilidade invejável, como: “Entrometeu” ou “Nóis capota mais num bréka [sic]” (fora o primor gramatical... o cára conseguiu errar TODAS AS PALAVRAS DA FRASE); ou adesivos ainda piores, de temática evangélica: “Na força do senhor Jesus Cristo, graças a deus”, “O senhor é meu pastor e nada me faltará”... Falô então ovelha do Senhor, nada contra sua crença, mas um divino Brega 22 pra você.

Ouvir uma sonzera alta no carro tudo bem, mas enfiar dentro daquele Golzinho 87 filmado um aparato sonoro que faria qualquer rave tremer e passar a 10 por hora na frente da balada, de vidros abertos... dá nisso mesmo: Brega 23... Tocando funk, claro...

E o mesmo Golzinho 87 com neón verde no chassis? E com dadinho de pelúcia pendurado no retrovisor? E com aqueles cachorrinhos grudados no painel que ficam mexendo o pescoço? E com um logotipo da Audi e roda imitação BMW pra completar? O cara queria tunar o carro e acabou ganhando uma filial do Circo Orlando Orfei... 4 bregas pro Golzinho... 24, 25, 26 e 27.

Aí o indivíduo chega da balada, pára o Golzinho 87 e aperta o botão de alarme (com som de berrante ou do pica pau) e vai fazer um omelete na madrugada... Pega os ovos naquela GALINHA que tem em cima da fruteira... Brega demais. Brega 28, e contando...

Pingüim de geladeira é um caso à parte... pode ser brega, mas pode ser kitsch... só que ninguém me tira da cabeça que kitsch foi o termo que as pessoas abonadas inventaram como justificativa pra poder gostar de brega. Não é pecado gostar de brega... só é brega...

Mas voltemos ao brega, que é mais simples e divertido que o kitsch...

Por que não decorar a sala desta casa com um quadro de motivos florais comprado na praça da república? Sem maiores comentários, brega 29.

Arranjo de flores de plástico é brega 30, e falando em flores, entremos no tema  preferido dos bregas: o amor... Ah.... o amor...

Quem não gosta dele? E o que seria do amor se não fosse o brega? No fundo o brega no amor é um grande elogio a esse sentimento: o torpor do amor deixa as pessoas tão fora da órbita, que perdem até a noção do bom senso. E perdem mesmo...

Comprar flor de menino que vende flor em balde no barzinho... Se for pra sua maior paixão de todos os tempos, já é brega... mas se você comprou como um “galanteio” pruma desconhecida no balcão... aí quem é brega no mundo, pegou de você... Brega 31 pra florzinha...

Só o amor constrói... constrói as gargalhadas que eu dou com os “telegramas animados”, estilo Loucuras de Amor do Gugu... Telemensagem amorosa e/ou erótica... Brega 32 pra essa turma aí...

Declaração de amor... hmmmm... essa é perigosa... é bom falar... é bom ouvir... mas tem limite. Declarar seu amor cantando em cima de uma música que tem letra “tuuuudo a ver com vocês” (imagine “Amor iguaaal ao seu... eu nuuuunca mais... terei....), passando a mão no rosto dela e lacrimejando de emoção... (e não raramente ajoelhado...). Aí pára tudo meu amigo... pára tudo e começa de novo... Esse vale 2: brega 33 e 34 só pra ele...

E cantor sertanejo que era pobre e agora vendeu 15 milhões de cópia? Quando casa compra uma aliança que parece uma conexão hidráulica... Parece que o rapaz tava com tanta, mas tanta vontade de casar que comprou umas 8 alianças pra grudar uma na outra e ficar daquele calibre... Eu vos declaro marido e mulher bregas 35.

E pra finalizar o tema, um brega 36 “suuuper fofo” pros apelidos dos namorados: “paixão”, “vida”, “chu”, “fofucho”, “moranguinha”, e mais alguns milhares...

Dá pra fazer um seriado com o tema “brega no amor”, mas vamos em frente...

Então você foi ao restaurante e o maldito fiapo de filé de lagarto resolver bater um papo com a tua gengiva... O que você faz? Você vai no brega 37: pede o palito de dentes e começa a futucar o fiapo maroto... Num movimento automático e inconsciente (por que na verdade você sabe que isso é porco), você põe a outra mão na frente da boca pra “ninguém perceber” que você está tentando resolver problemas urgentes entre os dentes... Ao final, completando essa atitude miserável, você das duas uma: ou mastiga o restolho e engole, ou simplesmente cospe o mesmo desfarçadamente no chão... Essa é uma nova categoria: Brega+nojo.... Então, brega+nojo trinta e sete, com todas as letras...

Aliás essa me fez lembrar outra: mastigar palito de fósforo, com direito a passeá-lo lado a lado pelos lábios e fazer malabarismos com a língua... Brega 38, como não...

Ainda naquele mesmo restaurante, podemos notar um distinto senhor prestes a cometer a breguice 39: levar pra casa o resto da comida, naqueles pratinhos de alumínio com tampa de cartolina... Se for dar pra um mendigo ainda vá lá. Mas comer no dia seguinte o restolho de capeletti com aquele molho branco saído da geladeira parecendo massa corrida, é praticamente autoflagelação...

Existem também umas bizarrices aleatórias, como escrever o nome num grão de arroz... Uma pergunta apenas: PRA QUÊ? Se o cara que escreveu, o fez com lente de aumento, como você vai conseguir enxergar aquela inutilidade? Isso se você não perder o artefato 15 segundos depois de comprá-lo... E, se não perder, vai colocar aonde? Na estante da sala pra “todo mundo ver”? hahaha...Brega 40.

Festa de debutante também já deu né? Damas de rosa, vestido bolo de noiva, chuva de pétalas, valsa atrás de valsa...Brega, brega e brega... 41.

Seguindo a linha dos eventos sociais, perseguir garçom em coquetel atrás de canapés... pois é... O cára nem jantou, achando que ia filar uma bóia, e acabou tendo que puxar garçom pelo braço pra forrar o estômago... Vergonhoso brega 42.

E por fim, depois da longa caminhada pelo tapete vermelho das breguices, claro que eu não poderia deixar de falar de um dos meus temas preferidos... as propagandas...

Comercial de FIXADOR DE DENTADURAS... Aparece a vovozinha mordendo uma maçã... Comercial das Casas Marabraz com música composta por dupla sertaneja, sem esquecer, é claro, do slogan de alta complexidade literária: Lojas Marabraz; preço menor, ninguém faz...”. Propaganda de crédito pessoal... o dono da empresa economizou na agência de publicidade e ele mesmo deve ter bolado aquela genialidade, não é possível. Comercial de POMADA PRA HEMORRÓIDA... meu deus... tá grave o negócio. Brega 43, em cadeia nacional, pra galera...

 

Bom, o assunto rende... devo ter descrito apenas a ponta do Everest brega nesse texto... Mas sinto que é um tema que se tornará recorrente neste blog... Assim, peço também a ajuda de vocês. Se quiserem sugerir algum tópico, eu prometo que desenvolvo. E prometo também não fazer mais a contagem dos bregas; porque repetir piada, como todos sabemos... é brega.

44, ufa!

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