MAS EU ME MORDO DE CIÚME...

O pressuposto para a corneada é a monogamia.

Ou seja: basta estar numa relação onde a fidelidade é combinada, para que ela possa ser subvetida.

Cientes dessa triste condição, e também não querendo ficar solteiros pro resto de nossa já solitária existência, como lidar então com o fantasminha nada camarada do ciúme?

Esse é um dos segredos da vida pacífica a dois: saber minimizar, ou pelo menos tentar estabelecer tréguas com o exército armado do ciúme que trava sua luta com soldados de múltiplas especialidades. Todos insidiosos, sorrateiros, e extremamente perspicazes em cutucar nosso ponto fraco pra abrir a ferida.

A fórmula me parece simples. É aquele tipo de coisa que cai no dito popular que todos conhecemos: "na prática, a teoria é outra"... É bem fácil falar. Difícil é fazer mesmo. Mas vamos lá...

Primeiro: medo de ser corno. Pra quê? Pra quê ter medo de algo que não depende de nós? É tortura. Ciúme é tortura em última instância. É como ter medo de chuva. Não tem porque ter medo. Proteja-se e terá uma chance se ela cair. Agora, ela pode não cair... então o medo será eterno se o tiver.

Dois: se tiver que rolar a cornada fatal, não é o ciúme que vai impedi-la. A contrário, mas muita gente não acredita: ele pode catalisar o processo. Somos como um punhado de areia na mao. É instintivo: mantenha-me na sua mão aberta, e eu não sairei de lá. Aperte-me e eu lhe escorro por entre os dedos. É assim. Não tem jeito. Temos que controlar nossas ansiedades.

O ciúme é fruto de desconfiança. A frase tosca de que "confio em vc mas não nos outros" é a balela do século. Caô dos infernos pra dar a volta em mente fraca. Se ela quer sair, deixa sair pombas. Aliás, o verbo "deixar" não deveria poder ser conjugado num relacionamento. Ninguém tem que deixar ou não deixar nada. Cada um cuida da sua vida. Como assim "deixar"? Quem é dono de quem?

Amigo: tenho de lhe dizer que se sua noiva acima de qualquer suspeita quiser, ela VAI te trair. E vai trair bonito, pq elas traem melhor que nós. Ninguém precisa de sábado à noite pra trair. Ela pode fazer isso num almoço, num happy, às 6 da manhã ou quando ela achar que tem que dar pra outro. E não há nada que vc possa fazer pra impedir que isso ocorra, se ela quiser. Vc pode sim, tratar ela muito bem pra que ela não pense nisso. 

Vc pode não encher o saco da menina pq ela vai no shopping sem vc. Então seu ciúme é o quê? Ou machismo ou insegurança. Não confia no teu taco? Acha que o primeiro que ela vir vai querer possuir com todo o fogo que ela te jorra todas as noites? Se pensas assim, és um bosta, amigo.

Além disso, o ser humano tem uma capacidade enorme pra "n" coisas, mas o talento pra fazer micro cagadinhas cotidianas é impressionante. Uma desatenção, um desvio, uma palavra mal colocada, um erro de português, uma tosse com perdigotos na tela, uma indiscrição, um tropeço na rua, um momento de raiva incontida, um arroto que saiu sem querer, um peido que saiu por querer...e por aí vai... Sendo assim, temos tanta coisa pra melhorar na nossa vida, que por que cargas d´água putaquepariu a gente vai se preocupar com a vida do outro? Deixa ele catso. Se cada um cuidar da sua, todos cuidam de todos. É a mais primária matemática.

No final, a vida é simples mesmo. Pensar demais é que fode tudo. Se fosse só sentir... mas ninguém sente ciúmes. As pessoas PENSAM ciúme. Ciúme é um processo racional, uma paranóia fundamentada em factóides imaginados, em interpretações, em associações errôneas. E isso é pensamento, não sentimento.

Então, simplifique, planifique, reduza, e terá uma chance a mais de achar o que procura. Tá na tua frente. Não faz a cagada de complicar, elucubrar, maquinar e se foder.

Ciúme é pior que pisar em merda. É a merda pisando na gente.

Oi Gente,

Desculpem a pequena ausência... coisas da vida...

Volto com um poema/crônica que escrevi há um certo tempo pra em concuso literário de língua inglesa.

 

The end of getting mad.

The end of being a stupid.

The end of thinking fast.

The end of bullshitting.

The end of going fuck.

The end of counting on me.

The end of crying eyes.

The end of truthly opposite lies.

The end of the unfucking holy religions.

The end of slowly breathing.

The end of spirit starving.

The end of wasting tears.

The end of peace of mind.

The end of stomachache.

The end of kicking asses.

The end of twisted intentions.

The end of empty crativities.

The end of skull faces.

The end of hungry voices.

The end of getting close.

The end of scraming demons.

Under my fucking skin.

Underneath my brain.

In the moonless night.

U appear just like a glimpse.

To fight your war.

And face your quest,

right in my eyes.

 

Good morning, mirror.

 

 

 

 

 

 

 

 

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