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Eeeeba... ano novo chegando e eu pergunto a todos (a mesma coisa que me pergunto todos os anos): foi diferente?

As mesmas caras, as mesmas tias maquiadas dizendo que vc é um bebê, as mesmas maledicências do dia seguinte à reunião familiar, tipo “ai, o Oswaldinho tá bebendo demais hein”... ou “e aquela blusa da tia Neide” (sim, Neide é nome de tia. Só de tia).

As mesmas comidas que a gente devora 2 vezes por ano, e que, acreditem, me enjoam...

Eu vejo peru só no Natal, e depois dele eu confirmo que é o bastante só no Natal...

O mesmo tender requentado... sim, dia 1° de noite é dia de restolho de festas...

Comemos como porcos de dia, dormimos o sono faraônico à tarde e de noitinha aquela montanha de comida que sobrou  - e que os parentes formigões não levaram no tupeware - entram no microondas empesteando a casa pela última vez com os odores natalinos... é a famosa  JANTA.

Aliás eu odeio a palavra JANTA... acho que poucas palavras são tão rampeiras quanto uma JANTA...: “Vai Marquinho, chama Luana pra dentro que a JANTA ta saíno...”...

E os comentários, as conversas peculiares que se extraem das reuniões familiares ... odeio pessoas que dizem “diz que...” (foneticamente DÍSQUI), como se fazendo alusão a uma superstição ou uma teoria popular furada:

“Ai (e elas começam sempre com “ai”, como se para alertar que a teoria é realmente importante e real: “Ai, vô usá amarelo no reveillon que DIZ QUE dá dinheiro”...

“Ai Jefferson, não toma Coca Cola logo de manhã que DIZ QUE faz mal...”

PERAÍ! Diz o QUÊ Jesus Cristo alegria dos homens???!!! QUEM disse, pombas?...

 

Mesmo assim, pra não me acusarem de blogueiro ranzinza, eu gosto do ano novo...

Não das promessas e listinhas que a gente faz e nunca realiza. Eu prefiro fazer o que nunca prometi. Prefiro agir a esperar. Cuidar da minha vida em vez da dos outros. Deixar a minha marca em vez de ser marcado pelos outros. Tentar sentir admiração, não inveja. Confiança, não ciúme. Mais altruísta do que egoísta (essa é difícil, mas eu tento...rs)...

Em resumo, na dúvida, eu escolho viver.

 

Então que 2007 seja simplesmente o ano que acabe com a reconfortante sensação de que “eu vivi”. Nada melhor do que olhar pra frente com esperança. Mas melhor ainda que isso é saber que essa esperança está calçada no que vc construiu no ano que acaba.

 

E chega de texto bonitinho e melacueca... eu ainda odeio peru....

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